APA — O encontro dos agentes

Todos nós sabemos que os valorosos agentes da APA — Agência de Proteção das Augustas — fazem todo o esforço possível para proteger as informações da agência, as Augustas e seus funcionários, principalmente da ACA — Agência de Combate às Augustas. Mas, algumas vezes, esses encontros são impossíveis de serem evitados. Infelizmente, foi o que ocorreu na sorveteria: um agente da APA encontrou um agente da ACA. Não ajuda muito o fato de a sorveteria favorita das duas agências ser a mesma.

Alguns eventos foram celebrados entre as duas; neles, alguns acordos foram estabelecidos. Dentre eles, um dizia que, de segunda até quarta-feira, apenas os funcionários da APA poderiam ir à sorveteria, mas, de quinta-feira até sábado, apenas os funcionários da ACA poderiam ir — uma gentileza concedida pela APA. No domingo, cada agência é obrigada a ir para sua segunda sorveteria favorita, que não são as mesmas, mas ficam próximas. Este é outro problema que a APA está tentando solucionar.

Porém, a ACA não respeita o acordo, então, infelizmente, algumas vezes eles se encontram na sorveteria. Hoje, por exemplo, eles se encontraram no estacionamento e a briga começou, pois o agente da APA Serafim — condecorado com quinze estrelas por ter comido 150 paçocas em dois minutos — encontrou o agente da ACA Gregório — condecorado com duas nebulosas por alguma coisa ridícula envolvendo cachorro-quente.

Eles entraram em uma discussão, pois estavam trabalhando no mesmo caso envolvendo a proteção de uma Augusta chamada Terezinha, e Serafim suspeitava que ele estava recebendo ajuda de outras organizações para incriminá-la. Quando confrontou Gregório, ele respondeu:

— No dia em que nós precisarmos da ajuda de outras agências para incriminar uma Augusta, nós mudamos nosso nome para APA — disse, desdenhoso, como se cuspisse as palavras.

Claro que Serafim ficou ofendido, porém decidiu manter a calma. Infelizmente, os agentes da APA precisam controlar suas emoções ou são acusados de serem fracos por eles. Não é que a acusação realmente ofenda, mas o placar de “Augustas salvas” é extremamente desfavorável para a APA, tanto que deixou de ser o objetivo real da agência. Nos bastidores, os próprios agentes repetem o lema: “Não protegemos Augustas, protegemos a tentativa de dar uma chance de elas fazerem alguma coisa”.

Então, mantendo a dignidade da cartilha da APA, ele respondeu:

— Mas esse é o seu jeito de agir, Gregório — disse com desdém.

A discussão durou alguns minutos. Em certo momento, agentes da APA tiveram que segurar Serafim para que ele não arremessasse casquinhas de sorvete em Gregório, o que tiraria toda a honra da agência. Em certo momento da discussão, Serafim gritou:

— E todos os casos de vendas ilegais de tartarugas que você colocou na ficha do Benedito?

— Mas aquilo nós fizemos apenas por diversão.

Serafim ficou enfurecido. Afinal, Benedito tinha sido uma de suas Augustas, que trabalhava em um caso de invenção da cura da vontade de repetir a sobremesa, mas foi preso pela ACA logo após inventá-la.

— Como você pode dizer que prendeu uma das melhores pessoas que já existiram apenas por diversão?

— É o que nós fazemos.

Serafim não podia fazer muita coisa além de murmurar. Infelizmente, foi assim que o encontro dos dois agentes se encerrou. Não se pode esperar outra coisa, pois, na realidade, as duas agências se odeiam há muitos anos, por muitos motivos.

No fim, os agentes da APA sabem que sua missão sempre irá falhar, mas torcem para que o trabalho das Augustas sirva para construir algo bom — infelizmente, pela experiência deles, Augustas quase sempre morrem antes de verem o resultado do próprio trabalho.

Nesse caso em que Serafim está trabalhando, todas as provas incriminadoras não foram suficientes para prejudicarem a vida de Terezinha. Ela conseguiu sair ilesa por enquanto, ao menos enquanto o Clube dos Finais Felizes tiver ao menos um membro.

Esta que vos escreve.


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