O Clube dos Finais Felizes estende-se também aos monstros, ao menos foi isso que desejou Marta, a armadilheira. Ela faz o seu trabalho: quando o telefone toca, ela atende; então, extremamente animada, atravessa o salão, entra em sua caminhonete e chega ao local da ocorrência. Então, lá, ela começa a investigação: o monstro é avistado, estudado e prepara-se a armadilha.
Dessa vez, quando Marta atendeu o telefone, alguém disse:
— Você se esquivou e escapou por tanto tempo. Por que não tenta escapar agora? Você conhece o caminho que leva à morte e o caminho que pode levar à vida. Vai tentar o primeiro caminho apenas por teimosia? Para provar o quê? Provar que tem coragem? Provar que é forte? Disso todo mundo já sabe, todo mundo já percebeu isso.
Quer que eu lhe diga o quanto é forte? Então eu digo: você é muito forte. Eu secretamente admirei você por anos. Você é forte, garota, você completa os requisitos necessários para ser chamada de forte, em qualquer lista que proponham. Talvez você não consiga perceber isso agora, mas você venceu. Nenhuma batalha é vencida ilesa. Você não pediu para brigar, foi chamada para a briga, ficou firme, argumentou, chorou, riu, tentou ser agradável e agora está olhando para essas palavras, lendo-as e sabendo que mais pessoas do que você é capaz de imaginar acham você extremamente forte. Não precisa provar isso para ninguém, não precisa transformar o seu desejo de ser uma heroína em uma pulsão por morte.
Viva enquanto ainda dá tempo, esquive-se enquanto ainda for possível. O mundo é ruim, pior do que você imagina, muito pior. Há mais sofrimento no seu bairro que em todo o seu livro. Tente não ser estúpida. Você conseguiu escapar hoje, então: carpe diem. A guerra está perdida, mas a batalha até aqui, você venceu. Não seja uma heroína estúpida. Ninguém seria uma heroína estúpida por você.