Eu tenho segredos a revelar. O maior de todos e mais doloroso deles é que gostaria de amar alguém antes de morrer. Não falo de “amar” com palavras, como tantas vezes na vida eu amei. Falo de amar de verdade. Amar.
Amar com gestos, com palavras, com afeto, com segurança, com proteção, com cuidado. Parece algo bobo, mas como poderia ser? Esse sentimento inventado, sim, inventado, tão inventado quanto a matemática ou a batedeira, moveu o mundo por séculos e séculos, criou teologias, poesias, dinastias e burguesias. Amar.
Não falo de amar o país, a família, os amigos, os animais de estimação, a vida ou qualquer outra coisa. Falo de amar alguém, uma pessoa, amar alguém que me ame também. Alguém que, por algum motivo totalmente inexplicável e sem motivo algum, tenha visto algo bom em mim. Amar.
Eu peço desculpas, extrapolei um pouco. O amor para mim ainda é um caso aberto. E, como todo caso aberto, ele é incerto, inseguro, assustador e exaustivo. Gostaria de amar antes de morrer. Amar.