Eu não acredito mais. Não sei o motivo ou se esse era o objetivo final. Sempre falaram que o último objetivo do totalitarismo, em especial do fascismo, seria não só controlar a vida das pessoas, mas seus pensamentos. Então, não sei, sou incapaz de compreender qual era o objetivo. Mas eu não acredito mais.
Eu não acredito mais em pessoas, não acredito que existam coisas boas na vida, não acredito mais que o bem vencerá em algum momento, não acredito mais no futuro da humanidade. O mais doloroso de tudo talvez seja não acreditar mais em mim.
Não sou mais uma pessoa. Às vezes, penso que sou apenas coisa, um produto ou algo triste deixado em algum lugar. Não sei. Depois de perder a fé em tudo, vasculhei em mim em busca do que fosse eu, não achei nada. Esse é um corpo, sem dúvidas, mas quem sou? Nem seria capaz de começar a dizer, muito menos em que acredito.
Não acredito mais no poder de boas ações. Ao contrário, tenho acreditado que todos vivem pelo poder, em função do poder e apenas por isso. Sendo eu, sem poder algum, não sou nada nem digna de nada. Então, não creio mais.
Pretendo cumprir minhas obrigações como cidadã, mas, sendo sincera, não acredito mais na democracia, não acredito mais em pessoas, não acredito mais em governos, em países e talvez não acredite mais em culturas também. Tudo me parece resumido a simples desejo por poder, desespero por poder.
Nem digo isso para gerar alguma reação. Sempre disse que, se realmente desejasse atenção, teria me esforçado mais. Digo por registro de fatos. Não acredito mais em nada, tudo me parece triste, todos me parecem seres terríveis, cruéis e frios, desesperados para tomar tudo quanto for possível.