APA – As três confissões

Um homem baixinho, cabelos desgrenhados como uma criança irracional, seus pés descalços sobre a madeira fria, um sorriso persistente no rosto de quem finge que de algum modo encontrou a paz e deseja transmitir para os outros, mas tem mais habilidade de julgá-los coloca suas correntes e caminha para uma sala, senta-se — esse homem é o Ancião Gurgel do Cadeixo, uma religião antiguissima que surgiu em uma aldeia de tecelões, enquanto uma mulher preparava um tecido, teve uma epifania e pensou: Deus criou o universo inteiro como fios entrelaçados, isso se tornou uma religião e posteriormente foi comprovada.

Diante de um livro sagrado, o primeiro homem entra, Fernando, o agente advogado da ACA sem nenhuma condecoração, ele se direciona ao Ancião Gurgel e diz – perdoe-me, eu pequei, estive procurando uma forma de derrotar a APA, então encontrei um meio de juntar dinheiro com o objetivo de arrecadar fundos para criar uma rede de Procuradores da ACA, para processarmos e perseguirmos todos quanto forem possível perseguir. Desde então temos impedido que as Augustas façam qualquer coisa.

O Ancião respondeu – o senhor se arrepende dos seus pecados?

– Mas Ancião, eu sou um agente da ACA é o que fazemos.

– Não poderei perdoá-lo – Fernando saiu da sala furioso e minutos depois enviou um apanhado de ameaças judiciais, ao qual o Ancião desconsiderou, pois julgava ser uma tolice imensa e se sentia tão profundamente superior que não se tocava do perigo que corria.

O segundo homem entrou na sala, o agente da ACA Tiago, condecorado com duas nebulosas por ser considerado o agente mais trapaceiro, além de ser responsável pelo desaparecimento de dezenas de Augustas – perdoe-me eu pequei, eu financiei a criação de um laser capaz de perturbar pessoas, além de ser responsável pela sabotagem ao sistema de falas do Sr. Quincas Sopas, também fui eu que sumi com diversas Augustas, costumo inclusive perseguir qualquer pessoa que fale sobre mim.

O Ancião, receoso, pois acreditava estar vendo nos olhos dele que ele seria incapaz de se arrepender de qualquer coisa, disse – o senhor se arrepende dos seus pecados? – ele já sabia a resposta.

– Senhor, eu sou o principal agente da ACA, sou a cara e o símbolo da ACA no mundo inteiro, não tenho como me arrepender disso, pegaria até mal para mim se eu fingisse me arrepender.

– Então, lamento, mas não poderei perdoá-lo – o agente Tiago saiu da sala furioso, pisando com raiva no chão, então pegou seu laser e apagou as últimas 24 horas da memória do Ancião, que ficou atordoado sem entender como tudo aconteceu, mas continuou na sala apenas para ver o terceiro agente entrar na sala.

O terceiro agente era o Pedro, condecorado com 5 nebulosas por coisas tão terríveis que a autora preferiu omitir das pessoas que lerão esse conto. Ele entrou na sala, ajoelhou-se como se nunca tivesse feito isso antes, ficou sério – perdoe-me, eu pequei.

O Ancião esperou um pouco para que o Agente Pedro falasse. Ele não falou – diga, pecou como?

– Eu não posso dizer, são segredos da ACA.

– Mas se o senhor não confessar, não poderei perdoá-lo.

O Agente Pedro disse – caso eu revele os segredos da ACA, terei que matá-lo e me matar em seguida.

– Então, lamento, não posso perdoá-lo.

O Agente Pedro saiu da sala com a maior frieza possível, nem se parecia uma pessoa de tão frio que era, dizem em pequenas bocas que ele fora um projeto da ACA desde de criança. Ele apenas apertou um botão e o Ancião Gurgel morreu.


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