Algo sobre – sentir

Eu me recuso ferrenhamente a devolver-lhe o mal, não porque eu seja boa, não sou. Há uma beleza imensa em saber que se pode ser cruel e escolher não ser, pode chamar de estupidez, pode chamar de loucura, chame do que você desejar. Mas vivi coisas ruins, vivi dias ruins, dias solitários, dias famintos, dias apavorantes, fiz e disse coisas das quais me arrependo profundamente e outras das quais não me arrependo, perdi a esperança na vida, nas pessoas, no meu país e gradualmente perco a esperança no mundo. Porém, estou aqui, não mais por essa corrida, estou por outra corrida.

Pode dizer que meus pedidos de desculpas para pessoas que me fizeram mal são tolices, diga, pode dizer. Porém, há inúmeros pedidos de desculpas que eu gostaria de ter recebido e não recebi. Então, manterei-me firme nisso, em pedir desculpas mesmo quando sei que a pessoa me fez pior. Iludi-me, mas ao contrário do que se pensa não foi por você, foi por nunca ter desejado aparecer de verdade e você ter posto um holofote sobre a minha cabeça.

Eu não ando recebendo muito consolo da vida, os dias estão cada vez piores, as noites mais cruéis. Há algo que me acalenta nessas coisas, a primeira quando me pergunto “quem eu sou?” e a resposta é “sou aquela que sente”, a segunda quando me pergunto “o que a vida faz de mim?” e a resposta é “a vida me torna melhor”. Você disse que vence quem sente menos, eu talvez sinta menos, mas não me orgulho disso.

Creio que haverá algo me esperando, creio mesmo, algo que cuidará de mim, não mais nessa vida. Hoje percebi o óbvio, enquanto eu pensava em me salvar de uma ameaça vazia, não percebia que quem me ameaçava era você.


Deixe um comentário