Quando eu – No topo da montanha

Enfim, hoje eu sonhei que estava na nascente do Rio Douro e seguia o rio até a foz, o rio era estranhamente sujo e eu me perguntei como podiam plantar uvas ali, pareciam boas uvas. Eu fui feliz ali também é engraçado, fiquei feliz sozinha no pico de um monte seguindo a correnteza de um rio.

Estava alí de braços abertos sentindo o vento arrefecer minha face, de braços abertos acima das nuvens e o vento gelado batia na minha face, enquanto eu olhava a rocha cinza sob mim. Olhando o horizonte não se via nada, nada. Eu fui feliz ali também.

Em outra vida eu fui um soldado escondido esperando o exército do Imperador César Augusto marchar contra mim, tão feroz, tão feroz fez meu povo se esconder nas cavernas. Lá eu também fui feliz, nas cavernas da Turquia, com medo de ter meu pequeno exército tomado de assalto. Eu também fui feliz sem nada, dividindo ração e me aquecendo com escudos. Eu dizia que venham contra nós.

Em outra vida fui a bruxa da vila, aquela de quem nada se esperava, nada valia, mas me procuravam quando precisavam. Alí eu fui feliz também. Estive sozinha em um deserto, apenas eu e meu caderno. Alí também consegui ser feliz. Tudo estava cinza quando eu fui uma senhora plantando flores. Consegui ser feliz ali também.

Ninguém é tão feliz quanto a pessoa que domina a solidão, ninguém encontra tão facilmente a paz de espírito e o caminho para se equilibrar quanto quem passou a vida buscando preencher-se daquilo que não recebeu tão facilmente do mundo.


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