Eu tenho dois imensos defeitos: um cérebro de escritora de ficção e o hábito de acreditar nele. O meu pessimismo une-se ao meu realismo, eu crio histórias tão plausíveis para mim que acabo acreditando. As minhas ficções me perseguem e só voltei a escrever sobre Jordana, pois quero que ela me deixe em paz.
Meu nome é Cibelis, nasci em 1997, sou uma pessoa LGBT+... E poderia listar mais coisas para me definir. Porém, o melhor que posso dizer é que sou complexa o bastante para ter certeza que sou um ser humano – e acabei enxergando humanidade em Jordana também. Se eu pudesse dizer algo sobre mim e sobre qualquer texto meu seria: “o que sobra quando tudo em que se acredita acaba ou nunca existiu? A resposta mais fácil é, sobra a esperança e a fé em qualquer coisa que nos mantenha vivos”.
Eu comecei a escrever para mim na pré-adolescencia após anos inventando histórias para dormir, pois tenho insônia e terror noturno, sempre foi meu objetivo escrever para mim, escrevo mal e tenho noção disso, há um cemitério meu de textos, poesias e ficções na internet – e um maior na minha mente que no fundo eram apenas eu falando sozinha, sempre foi minha intenção falar sozinha – hoje compartilho esses pensamentos com vocês, alimentando um sonho antigo de ter correspondentes de cartas. Mas torço que você não passe a acreditar nelas ou que pelo menos seja capaz de dar um novo significado a elas, além da desesperança no mundo e em si mesmo – pois há uma única coisa que aprendi com tudo isso, estou bem menos disposta a ser uma Augusta do que imaginei. As vezes só podemos encarar a nossa maldade e a maldade do mundo para aceita-la.
Nunca escrevi para crianças ou adolescentes, meus textos mesmo quando assumem um tom de fábula ou conto de fadas são sobre temas adultos e principalmente sobre morte, tenho tanatofobia desde a infância, como o único modo de vencer um medo é encará-lo de frente, eu passei a desenhar, escrever e viver em torno da minha brevidade. Também tenho um passado constrangedor escrevendo histórias eróticas, mas isso é tão constrangedor que é melhor esquecer. Obrigada por ler, tente entender o contexto e se for me cancelar, seja gentil.
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