Sugestão de escrita diária
Qual é o seu estilo de decoração da casa?

A minha decoração de casa favorita seria esta: uma pequena cabana de madeira, alguns arbustos de flores, uma estrada de pedra – daquelas roxas e amarelas que lembram a minha infância. Mas principalmente seria um lugar onde eu pudesse me perguntar “quando não se sabe mais o que fazer, nem ao certo o que está acontecendo e parece que tudo está perdido, o que se pode fazer?”

A resposta viria com o eco nas paredes do cantarolar das músicas “yesterday” e “three little birds”. Não é curioso como elas têm o imenso poder de limpar a mente mesmo nos momentos mais agitados? Imagine uma casa com uma almofada especial, totalmente feita para sentar-se e comprometer-se em não pensar sobre tudo que há de errado no mundo, em nós ou nos outros. Um belo lugar seria esse.

Pense agora que essa casa tem cheiro de erva-doce, os suspiros ali sempre saem perfeitos para se colocar sobre uma torta de qualquer coisa. A janela aberta para o mundo não apenas nos entretém, antes, convida-nos a esquecer a fragilidade da vida.

A porta não é apenas uma porta comum, mas um portal verde vibrante convidando a transformar os nossos defeitos em pequenas qualidades ou erros bobos. Ali qualquer pequeno erro seria tolerado, o amor sempre daria um jeito de passar pelas brechas para tomar o mundo como se o que sobrasse lá dentro fosse tanto que precisasse transbordar.

Agora imagine que essa casa tem um oratório, não um comum onde imagens de santos e familiares se mesclam, mas um onde de pés descalços se pudesse confessar os seus pecados – tão poucos, então, sentir suas preces atendidas e o perdão. Um lugar daqueles, onde não se cobra dinheiro para entrar, muito menos tempo para sair, um pedaço do céu tornando qualquer confusão nesta certeza: não importa o quão ruim o mundo fique, ainda estaremos seguros.

Ah, pense nesse lugar, uma cozinha que convida ao sorriso. A cama que convida ao descanso. Os raios de sol iluminando cada parte das nossas vidas. Uma sala tranquila nos lembrando que o mundo lá fora é cruel, mas aqui dentro não importa quem é mau, apenas ouça a casa convidar para seguir em frente.

As paredes não prendem, apenas separam os pensamentos ruins, todas as partes erradas de um mundo caótico das partes pequenas de respirar um pouco, sorrir e não saber de nada, porém confiar que a passos lentos, muitos lentos, o bem anda vencendo não só fora, não só dentro, mas aos poucos em cada um de nós.

438 palavras
2–3 minutos

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