Lauro,

Eu revisitei algumas coisas que me disse, as vezes não há nada a perdoar, pois infelizmente não fui eu que errei, quando você entrou na minha vida eu era feliz, sério, era mesmo. Eu ria fácil, ainda acreditava em algumas coisas, pensava sobre o futuro constantemente e imaginava que ele seria feliz, não apenas comigo, mas com todas as outras pessoas. Não sabia ao certo o que estava acontecendo, tinha muito medo, passava a maior parte do tempo me perguntando porque me tratava daquela forma, o que eu poderia ter feito.

Talvez você não se lembre, Lauro, mas você me enlouqueceu, eu não conseguia mais me olhar no espelho, não reconhecia mais as minhas próprias palavras, eu perguntava a mim se era possível que as coisas piorassem e pioraram muito até eu conseguir ficar bem, até que eu pudesse me acalmar e ficar “normal” de novo.

Lauro, você piorou a minha vida. Muito. Eu sinto muito, sei que queria uma resposta completa, imagino que pensasse que eu enviaria uma carta lembrando de algo bom, mas não há nada de bom no que você fez. Nada. Em qual momento você pensou que poderia dar certo algo assim? Eu sempre fui gentil com você, mas também sempre fui gentil com todos a minha volta, mas aqueles anos, aqueles 9 anos que passamos juntos, foram os piores nove anos da minha vida, eu não seria capaz de explicar o quanto foi ruim.

Depois descobri que de alguma forma você conseguiu distorcer tudo, conseguiu me fazer parecer, ou melhor, conseguiu me deixar tão maluca que não fui capaz de separar quem eu era de tudo aquilo. Sei que pedir para você não me mandar mais cartas é inútil, você parece não querer me deixar em paz, não quer me deixar ir embora.

Eu só posso lhe dizer uma coisa, eu pensei em me matar, todos os dias durante 9 anos e agora também penso. Eu não tenho lembranças boas com você, mas tenho lembranças boas daquele momento.

Adeus, Joana

05 de Novembro de 2004

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