Bem-vindos ao meu exorcismo!

Eu fui cancelada ao tentar publicar esse texto pela primeira vez em 2020/21, não atoa, o texto é desagradável de ser lido por ser cruel e pelas palavras cruéis estarem sendo ditas pela vilã. Eu também não gosto de escrever sobre ele, justamente por isso ele ficou guardado por tantos anos na minha cabeça e só agora estou voltando a tentar escrevê-la. Para evitar novos mal entendidos, vou explicar tudo que pode ser explicado sobre esse universo, sobre mim e sobre o contexto no qual foi escrito.

Sobre o contexto

Eu comecei a escrever esse texto após sair a DLC vampiros no The Sims 4, inicialmente era para ser apenas uma fanfic boba sobre vampiros, era uma sátira de Crepúsculo que até aquele momento eu sequer havia lido ainda. Depois que li, amei. Porém em 2018, quando Bolsonaro venceu as eleições, eu surtei. Achei tão absurdo todas as coisas ridículas que estavam acontecendo e a passividade das pessoas em relação aquilo que comecei a pensar, quão acostumados estávamos com o caos que começamos a achar normal tudo que estava acontecendo?

O meu cérebro encarou a minha fanfic de vampiros e começou a problematizar a própria existência deles, como seres que se alimentam de sangue humano podiam ser considerados ícones sexuais na cultura pop, por exemplo, a Saga Crepúsculo, Diários de um Vampiro e a Entrevista com o Vampiro? Então comecei a encará-los como os monstros que de fato eram.

Sendo muito honesta eu já estava evitando noticiário, especialmente noticiário político desde 2016, na época do impeachment, então a história não é baseada em nenhum caso real, ao contrário do que podem supor. A ideia era simples: como seria a conversa de uma mulher absurdamente fascista com seu filho, vivendo e tentando ascender ao poder em um mundo cruel e caótico?

O alvo da piada sempre foi Jordana, sua estupidez e sua ambição em um mundo horroroso. Ela não é uma rebelde, não é uma ativista, não tem uma causa, além de enriquecer e enriquecer sua família. Ela não chega a ser má, pois nem sequer encara a própria maldade. Quando publiquei no Wattpad pela primeira vez o cancelamento foi automático, acho que a época era ruim, todo mundo, especialmente, na esquerda estava com medo, estava apavorado com tudo e acharam que era um discurso de ódio disfarçado. Talvez os primeiros textos de fato parecessem.

Eu escrevia o texto com raiva, rancor e medo também, mas ao mesmo tempo rindo do quão absurdo era viver aquele período da história. Ainda tentando manter o otimismo, eu já criei a história com um final onde o fascismo era derrotado – Jordana morre no fim, desde a primeira versão da história – e o sistema no qual ela está inserida gradualmente se deteriora, não quero dar spoiler aqui, mas essa história especificamente me deixou tão pessimista que inventei o “Clube dos Finais Felizes” é uma espécie de pacto de só escrever histórias onde o bem vence.

Na vida real, infelizmente, o mal costuma vencer, quanto mais se olha para o mundo, mais se percebe que ele é torto, cruel, violento e talvez irremediável, pois o “bem” na maior parte das vezes não é tão bom assim, quando é, é facilmente derrotado pelo cansaço, apatia e desesperança ou pior, pela morte. É nesse ponto que surge uma piada recorrente em todas minhas histórias, a piada da Augusta – uma mulher ou pessoa que é tão boa e generosa que poe sua vida em risco para salvar outras pessoas, mas sempre acaba morrendo por isso, mesmo a Augusta morrendo, o mundo continua, de algum modo um pouquinho melhor. A piada da Augusta me levou a criar a APA – associação de protetores das Augustas, uma coleção de pequenos contos que talvez algum dia eu também publique. 

Portanto, se ao menos na ficção pudermos acreditar que o mundo pode ser um pouco melhor e ter finais felizes acho que poderemos dormir um pouco mais tranquilos. 

Outro ponto que mudou da versão original para esta que lerão a partir de hoje foi a instrumentalização da religião pelo fascismo, inicialmente havia muitas piadas religiosas e hoje não há mais. Eu já era católica sem muita convicção na época, desde a infância, hoje eu realmente sou católica – muito porque o pessimismo venceu dentro de mim e só me resta acreditar que Deus poderá nos salvar em algum momento, ou ao menos que Cristo, se for usado como modelo de conduta, pode levar a construção de uma sociedade mais justa e feliz.

Espero que leiam com calma. Obrigada.

 Sobre os Nixanos

A ideia de humanos-deuses não é minha, ela é tão antiga quanto a própria civilização humana. Eu sempre fui fascinada por cosmogonias e algumas vezes já criei as minhas por diversão, então a temática divindades ou humanos que ascendem a essa posição sempre esteve comigo de algum modo. Porém, piorou quando li “Sapiens” e passei a ficar desesperada com a ideia de um mundo onde algumas pessoas têm mais poder que as outras, uma quantidade tão maior de poder que seja insuperável pelos humanos comuns. Infelizmente é para onde o mundo caminha.

Os nixanos não têm apenas poder financeiro, econômico, político e cooperativo, eles têm um poder que emana da própria biologia deles. Nesse mundo surge Jordana uma pessoa realmente ruim – exceto com a própria família, mas que se torna o símbolo de uma revolução contra um sistema que ela não é verdadeiramente contra, ao contrário, a frustração dela é por não estar entre a elite.

Aos poucos os nixanos mais pobres (e os humanos?) compram a visão de uma Jornada revolucionária, sustentada na realidade principalmente pela sua melhor amiga, Hiana. Ao passo que a própria Jordana começa a concordar verdadeiramente com sua revolução, então ela já certa que está condenada a morte se vê diante da esperança em uma divindade adormecida, Nixa.

Nixa é outra “peça rara” nesse tabuleiro cruel, ela criou esse mundo e não foi sem querer, ela criou, organizou e estabilizou um sistema perverso com o qual ela não concorda, mas acha necessário, como se pensasse: há outra forma de fazer isso? E a única resposta a qual chegasse é “não”. Após séculos construindo esse mundo, ela cansa, dorme. Mas quando desperta para julgar a rebelde fica em uma encruzilhada cruel, pois sabe que Jordana está certa, mas não é capaz de criar um mundo melhor. Aos poucos conforme vamos conhecendo Nixa, vamos tendo esperança de que ela salve Jordana e todo o mundo nixano – será? Mas como salvar um sistema que foi feito para ser perverso e cruel?

A pergunta se mantém sem resposta, leitor(a).

Uma boa curiosidade é como os meus vampiros deixaram de ser apenas hematófagos e se tornaram carnívoros, a resposta é simples – eu amo ciência de buteco! Principalmente as que envolvem biologia, isso é muito visto nos meus textos e todo o universo nixano é uma resposta a mais uma pergunta – que a Meyer também pensou, diga-se de passagem – como seria um predador natural dos humanos? Eu dei outros dois saltos nessa pergunta: como funcionária o ecossistema? Como se evitaria a extinção dos humanos?

A resposta mais simples possível para todas essas perguntas, encontrei no princípio da economia de energia, o sangue não é uma fonte boa o suficiente de energia, mas a carne sim. Assim meus vampiros deixaram de ser vampiros e se tornaram nixanos.

Os nixanos são armas biológicas, não são monstros com origem sobrenatural, são humanos que vivem uma relação mutualista com uma superbactéria – tipo uma super mitocôndria – que não só torna-os máquinas ferozes de energia como também reescrevem o seu DNA, tornando eles amortais e com uma imensa capacidade de regeneração. Essa é a parte mais importante do universo nixano, eles podem se regenerar.

Os nixanos não são românticos, não são sedutores, não são melhores que os outros humanos, são produtos do acaso – extremo oposto da meritocracia – são a resposta da pergunta: o quão patética pode ser uma elite? E quão longe uma sociedade pode ir para se manter no poder? E principalmente, como o mal pode se tornar tão tolerável a ponto de ser contado como uma piada – lembrem-se do contexto no qual foi escrito, uma época onde tanta desgraça acontecia de forma tão ridícula que não sabíamos se deveríamos ter medo, rir ou chorar. Obrigada por ler, tente entender o contexto e se for me cancelar, seja gentil.

Segunda carta

Querido Lúcio, Eu não consegui dormir ao decorrer dessa noite, Aurélio V teve coragem de me levar ao salão da casa dele, com diversas pessoas estranhíssimas e me acusar de ser fascista, eu até pensei em me defender e teria argumentos o suficiente para dizer que não sou facista, se eu soubesse o que isso…

Leia mais

Primeira carta

Querido Lúcio, Não sei se você conseguiu acompanhar o que houve em casa ao decorrer daquela noite, por isso, estou aqui para explicar o que aconteceu na esperança que você não se preocupe comigo ou com seu pai. Nós estávamos preparando o jantar, um ótimo par de traseiro assado com bacon, a receita favorita dele…

Leia mais

Deixe um comentário